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Evolução dos custos da energia nos últimos meses: o que esperar?

Em outubro, a inflação registou a taxa mais elevada dos últimos 30 anos, atingindo o valor histórico de 10,1%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este número contrariou as estimativas do Banco de Portugal, que previa que a variação no índice de preços tinha atingido o seu ponto máximo no terceiro trimestre do ano: em setembro, a taxa de inflação tinha sido de 9,3%.

Em relação à energia, a taxa de variação homóloga do índice relativamente a estes produtos aumentou, em outubro, 27,6%, mais 5,4 pontos percentuais relativamente a setembro, destacando-se a subida do gás natural.

Na Europa, a realidade não é melhor: a taxa de inflação anual na zona euro voltou a bater recordes em outubro, de acordo com o gabinete estatístico da União Europeia, o Eurostat, chegando aos 10,7%. Foi uma subida considerável relativamente a setembro, de 0,8 pontos percentuais, em que o valor foi de 9,9%.

O aumento dos preços energéticos – 41,9% em outubro relativamente aos 40,7% registados em setembro – continua a seguir a mesma tendência e é o fator que mais contribui para o aumento da taxa de inflação na zona euro, mesmo antes da alimentação, do álcool e do tabaco.

O contexto de guerra tem contribuído em larga escala para a aceleração dos preços em Portugal, no continente europeu e por todo o mundo. Desde o início do conflito armado na Ucrânia, em fevereiro de 2022, que os especialistas esperavam um aumento generalizado dos preços, principalmente relacionados com a energia. Com o fim do ano a aproximar-se, e olhando para trás, as previsões confirmaram-se.

Custos energéticos: Uma viagem aos últimos meses

 A taxa de inflação na zona euro tem vindo a acelerar desde junho de 2021, principalmente devido à subida dos preços da energia, e a atingir valores recorde desde novembro desse ano.

Segundo dados da edição de abril do relatório Commodity Markets Outlook, lançado pela organização com sede em Washington, nos EUA, os preços da energia tiveram o maior aumento desde 1973, momento de uma grande crise petrolífera, entre abril de 2020 e março de 2022. O mesmo documento abordava uma conjuntura negativa passada que tem sido intensificada pela guerra. Já nesse mês, o Banco Mundial afirmava que os preços da energia deveriam crescer 50,5% este ano.

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Já a edição de outubro do mesmo relatório registou as crescentes preocupações sobre a disponibilidade de energia na Europa nos meses de inverno, acrescentando o facto de os mercados energéticos estarem, neste momento, confrontados com problemas de abastecimento. O documento referiu ainda que o índice de preços das matérias-primas energéticas, o gás natural (com grande expressão), o petróleo e o carvão, deverá aumentar 59,1% este ano, relativamente ao ano passado e que, apesar de se estimar que o índice de preços da energia caia 11,2% em 2023, os preços vão continuar 75% acima da média dos últimos 5 anos.

O conflito armado na Ucrânia foi agravando a crise energética, com a Rússia a reduzir constantemente, ao longo dos últimos meses, o abastecimento de gás natural à Europa. De acordo com dados do Eurostat, a Rússia foi o terceiro país de onde Portugal mais importou gás natural em 2020, equivalente a uma percentagem de 9,7%, apenas ultrapassado pela Nigéria (53,8%) e os Estados Unidos (18,9%).  Já em 2021, Portugal importou um total de €1,7 mil milhões de gás natural, cerca de 20% do total das importações energéticas e, da Rússia, importou 13%, também a seguir aos dois países, Nigéria e EUA.Importação de gás natural por país de origem 2021As consequências da guerra fizeram-se sentir nas indústrias em Portugal, ao longo do último ano: como indica a DGEG, relativamente ao gás natural, ao analisar-se os preços médios de cada banda de consumo percebe-se que, após uma diminuição dos preços em 2020, os anos de 2021 e 2022 foram marcados por uma subida acentuada dos custos para todas as bandas de consumo.

No 1º semestre de 2022, a banda de consumo mais representativa em Portugal foi a I4 (relativa a consumos anuais de gás natural entre 100000 GJ e 1000000 GJ), que representa cerca de 40% do consumo total dos clientes não-domésticos. Nessa banda e semestre, os preços aumentaram 223% relativamente ao semestre homólogo de 2021: nos primeiros seis meses deste ano, o valor do gás natural foi de 22,4358 €/GJ, preço que inclui impostos e taxas. Já no primeiro semestre de 2021, o valor foi de 6,9109 €/GJ. Em relação ao último semestre de 2021, o valor do gás natural nesta banda foi de 11,3908 €/GJ.

Em relação aos preços da energia elétrica na indústria, analisando a banda IE, que inclui um consumo anual entre 20000 MWh e 70000 MWh, verifica-se que, entre o 1º semestre de 2022 e o semestre homólogo de 2021, o incremento de custos foi de 72% (0,1872 €/kWh vs 0,1083 €/kWh, valores que incluem já impostos e taxas).

O hidrogénio verde e a aposta em novos gasodutos

É cada vez mais importante que as empresas se concentrem em formas de energia verdes, que sejam eficientes energeticamente e, ao mesmo tempo, protetoras do ambiente.

A aposta no hidrogénio verde –  também conhecido como hidrogénio limpo ou hidrogénio renovável -, produzido pela eletrólise da água e que recorre a eletricidade de fontes renováveis, como a eólica e a solar, pode ser uma forma de atenuar a questão da falta de gás. O Plano Nacional do Hidrogénio prevê que, até 2030, o hidrogénio represente 5% do consumo final de energia na indústria e estabelece metas ao nível do hidrogénio verde, com previsões de se traduzir em 1,5% e 2% do consumo total final de energia.

Importante também tem sido a aposta em novos gasodutos que transponham as fronteiras francesas e que possam transportar o gás para o centro da Europa, que será recebido no porto de Sines. Contudo, os impactos reais na redução dos custos e o tempo até que as alterações necessárias estejam totalmente efetuadas, que pode ser de anos, não são claros.

Novas oportunidades para as indústrias

Pode ver-se a situação atual como uma oportunidade para acelerar o compromisso da transição energética, apostando em energias renováveis, limpas, sem emissão de gases com efeito de estufa.

Tanto os consumidores como as empresas devem tomar medidas para evitar cenários ainda mais negativos, que incluem a redução da procura de gás e eletricidade durante as horas de maior intensidade e um investimento, por outro lado, na eficiência energética.

O governo português criou um plano extraordinário de apoio às empresas, que começou a ser executado no início de outubro, que inclui 290 milhões de euros de ajuda à aceleração da eficiência e transição energéticas. Como? Através de processos e tecnologias de baixo carbono na indústria, da adoção de medidas de eficiência energética e da incorporação de energia de fonte renovável e armazenamento.

A ajuda de 290 milhões de euros do governo financiará o “Apoio à Descarbonização da Indústria” (aviso número 03/C11-i01/2022), com candidaturas até 31 de janeiro de 2023, que pretende apoiar o investimento necessário à transição para uma economia neutra em carbono e circular.

A Descarbonização da Indústria é um dos investimentos definidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Está integrada na Dimensão Transição Climática do PRR e o seu objetivo é concretizar medidas do Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC), que prevê o alcance de uma energia neutra em carbono.

Peça já uma proposta para reduzir os consumos de energia da sua empresa

Realizar e seguir roteiros de descarbonização, apostando numa energia neutra em carbono e reforçando a aposta nas energias renováveis, como a solar, são passos que as empresas devem dar. O Solar Térmico (ST), uma tecnologia que aproveita a energia solar para aquecer água e contribui para a redução das emissões de CO2, pode ser uma opção.

Além disso, o foco deve ser também na autoprodução de energia e em negociar projetos de Comunidades de Energias Renováveis (CER), que lhes permitirão pouparem nos custos relacionados com a eletricidade, assim como serem mais sustentáveis através da obtenção de energia limpa.

Sobre a CCENERGIA

A CCENERGIA é uma empresa de consultoria e serviços integrados de energia, com monitorização e entrega de resultados. Com 18 anos de experiência nas áreas da sustentabilidade e da transição energética, já ajudámos mais de 200 empresas a reduzirem o consumo em mais de 100.000 TEP (Toneladas Equivalentes de Petróleo) e as emissões em mais de 200.000 toneladas de CO2, obtendo poupanças na ordem dos 50 milhões de euros. Saiba mais sobre os nossos serviços e peça uma proposta aqui.

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